As estruturas do mundo ameaçam ruir, enquanto crescem as saudades da Cristandade


30/01/2012

Luis Dufaur

A interdependência universal das economias, das políticas e das sociedades ao longo de várias décadas deu início ao maior colosso de origem humana da História. Mas ele continha fissuras que em 2011 se agigantaram e ficaram expostas, ameaçando um desabamento também universal.

Nos períodos pobres em acontecimentos o tempo parece não passar, e todo o ocorrido no seu decurso parece ter-se dado há pouco. Mas quando a sucessão dos fatos é vertiginosa, os eventos próximos parecem de há muito transcorridos. O ano de 2011 foi destes.

Em janeiro passado o Brasil sofria a mais mortífera catástrofe natural de sua história e uma das dez piores do mundo no último século. Contaram-se pelo menos 902 mortos e 400 desaparecidos. Na região serrana fluminense, chuvas incomuns provocaram deslizamentos de toneladas de terra, quedas de pedras gigantescas e enxurradas de lama comparadas a tsunamis, que atingiram 100 km/h. Não só prédios, mas bairros inteiros foram inundados ou sepultados em segundos, em um cenário semelhante ao provocado pelo furacão Katrina que em 2005 devastou Nova Orleans. Teresópolis, Nova Friburgo e Petrópolis foram algumas das 15 localidades mais afetadas.

O engenheiro Ícaro Moreno Júnior, presidente da Empresa de Obras Públicas (Emop), avaliou: “Era impossível prever algo daquela dimensão. Foi como se a natureza decidisse despejar toda sua força de uma vez só”. Dez dias depois da tragédia, 130 geólogos de todo o Brasil que haviam se apresentado como voluntários não tinham uma explicação para o fenômeno.

Num contexto geográfico inteiramente diverso, na Austrália, chuvas torrenciais fizeram transbordar o rio Brisbane, também com a força e a extensão de um tsunami.

Japão: tsunami, terremoto e crise nuclear


No Japão, um tsunami provocado pelo sexto terremoto mais violento da História engoliu 26.466 pessoas, entre mortos e desaparecidos

Porém, o tsunami — não metaforicamente falando, mas o real, provocado pelo sexto terremoto mais violento da História — veio pouco depois, no Japão, tragando 26.466 pessoas, entre mortos e desaparecidos. As fotos das pavorosas ruínas da cidade de Sendai e vizinhanças estão em todos os jornais, TVs e sites da Internet.

O terremoto interrompeu a produção de automóveis, chips de computador e diversos outros bens. Fábricas estratégicas foram obrigadas a fechar prolongadamente as portas, criando um ponto de estrangulamento na economia global. Até no Brasil as montadoras japonesas dependentes de peças da matriz acusaram o golpe.

Entre os imensos estragos, a situação da antiga central atômica de Fukushima — que em parte derreteu e espalhou relevante radiação nas redondezas — inspirou graves temores. Embora muitíssimo menos grave que a da usina soviética de Chernobyl, o acidente de Fukushima foi intensamente explorado pela mídia e pelo ambientalismo para promover o desmantelamento de toda e qualquer central nuclear e até mesmo do sistema industrial moderno, o qual é acusado sem matizes de pôr em risco a vida na Terra.

De um lado, o caso de Fukushima ajudou a perceber a existência de como que tumores cancerígenos industriais instalados em vários pontos-chave de um mundo tornado quase totalmente interdependente. De outro, a manipulação demagógica dos fatos distorceu sua focalização e os “verdes” capitalizaram a onda de pânico, servindo-se para isso do sensacionalismo midiático. Na Alemanha, por exemplo, eles “surfaram” nas ondas de Fukushima e no estado de Baden-Würtemberg infligiram considerável derrota eleitoral ao CDU, partido democrata-cristão ao qual pertence a chanceler Angela Merkel.

Avisos e proteções de Nossa Senhora

Mas o tsunami trouxe outras recordações. Em 1973, no convento das Servas da Santíssima Eucaristia, em Yuzawadai, perto de Akita — a região mais atingida pelo terremoto — Nossa Senhora se manifestara à Irmã Agnes Katsuko Sasagawa, então com 42 anos de idade.

Akita está situada na mesma latitude do epicentro do colossal abalo sísmico, a 150 km de Sendai, a cidade mais atingida. As aparições de Akita haviam sido analisadas e aprovadas pela Hierarquia eclesiástica. Naquela data, Nossa Senhora preanunciou que castigos ainda mais terríveis do que aquele enorme terremoto e tsunami viriam, caso o clero católico e o mundo não se arrependessem e mudassem de vida. “Se os homens não se arrependerem e melhorarem, o Pai infligirá um terrível castigo para a humanidade. Será uma punição maior que a do dilúvio, nunca vista antes. Fogo cairá do céu e destruirá grande parte da humanidade, tanto os bons quanto os maus, não poupando nem sequer os sacerdotes ou fiéis”, advertiu Nossa Senhora.

“A obra do demônio se infiltrará até mesmo dentro da Igreja, de tal modo que veremos cardeais se opondo a cardeais, bispos contra bispos. Os padres que Me veneram serão escarnecidos, menosprezados e combatidos pelos seus confrades [outros padres]. Igrejas e altares serão pilhados. A Igreja estará cheia daqueles que aceitam compromissos e o demônio afligirá muitos padres e almas consagradas para que deixem o serviço do Senhor. Se os pecados aumentarem em número e gravidade, em breve não haverá perdão para eles. Aqueles que colocam sua confiança em Mim serão salvos”, concluiu o aviso maternal.

Também na tragédia da região serrana do Rio de Janeiro a Santíssima Virgem quis deixar claro que sua presença protetora ali estava para os que ouvem a sua voz. No meio de grandes pedras e troncos de árvores arrastados pela enxurrada podia-se contemplar, incólume, uma frágil imagenzinha de gesso de Nossa Senhora das Graças que, em seu oratório de madeira exposto às intempéries, soube resistir a estas de modo surpreendente. Arrebatadora, a aluvião a envolveu, pareceu engoli-la, mas nada pôde contra a Imaculada!


Numerosas reuniões de cúpula, promessas de decisões transcendentais e aumentos eletrizantes do poder da UE foram encabeçadas pelos dois “grandes” da UE, a chanceler alemã Angela Merkel e o presidente francês Nicolas Sarkozy, poderosa dupla apelidada de Merkozy.

Tsunami financeiro: crise do euro e da União Europeia

No início do ano, a utopia da República Universal, encarnada a seu modo pela União Europeia (UE), afigurava-se quase morta nos espíritos. Porém ainda resistia, exibindo sua formidável organização material. Já no fim do ano, na ordem concreta dos fatos, a UE entrava em ebulição, com governos e empresas preparando-se para o impensável: a ruptura da união monetária, acompanhada por abalos financeiros e desordens sociais imprevisíveis. O descontentamento e a discórdia estendem-se a outros pontos nevrálgicos, como a moeda comum, o euro.

Em janeiro do ano passado, na reunião dos máximos representantes do mundo econômico e financeiro, realizada em Davos, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, garantiu: “Quem apostar contra o euro vai queimar os dedos”. Porém, pelo fim do ano, aconteceu o oposto: não eram os dedos dos eurocéticos (contrários à União Europeia) que se queimavam, mas todo o corpo da união monetária, crucial para haver união política. Numerosas reuniões de cúpula, promessas de decisões transcendentais e aumentos eletrizantes do poder da UE foram então encabeçadas pelos dois “grandes” da UE, a chanceler alemã Angela Merkel e o presidente francês Nicolas Sarkozy, poderosa dupla apelidada de Merkozy.

As medidas de salvação do euro, anunciadas estrepitosamente na UE, tiveram até o momento resultados pífios, e seu futuro é incerto. Pelo fim do ano, cada novo anúncio de mais uma reforma profunda das finanças e dos tratados fundacionais da UE para conjurar a crise era “mais do mesmo”, sem qualquer resultado sério.

“Merkozy” contra a opinião pública europeia

Numa desesperada tentativa de salvar os países da eurozona em crise, a chanceler da Alemanha foi ao Parlamento de Berlim para impor um aumento da participação de seu país no Fundo Europeu de Estabilidade Financeira. Embora tal ideia fosse repelida pela maioria do povo e dos deputados alemães — cansados de financiar outros países que pouco ou nada faziam para pagar suas dívidas e racionalizar seus orçamentos — Angela Merkel conseguiu obter dos parlamentares a aprovação desejada. Constatou-se, porém, poucas semanas depois, que o fundo salvador era fantasmagórico, porque os capitais indispensáveis não afluíam.

Se nadar contra a correnteza é árduo, muito mais o é governar contra a opinião pública. E esta não foi somente a grande ignorada na crise, mas até mesmo a grande repelida. Bastou o premier socialista grego, Papandreou, anunciar um plebiscito a fim de auscultar o povo sobre as medidas de arrocho econômico, para ser em seguida deposto de modo ditatorial pela troika composta pelo Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional (FMI). Em seu lugar foi nomeado Lucas Papademos, considerado um técnico ao gosto da troika que se arrogou a tarefa de direção da UE.


De chibata na mão, observada por Portugal, Grécia e Itália algemados, Angela Merkel diz ao Banco Central Europeu (ECB), que leva dinheiro para salvá-los: Mais dinheiro não, mais disciplina!

A crise derrubou sete governos, entre eles o quase inabalável “reinado” de Silvio Berlusconi, na Itália. Em seu lugar a troika impôs um primeiro ministro de seu gosto: Mario Monti. Este apresentou em dezembro mais um plano de arrocho — a lei Salva Itália — dizendo: “Os mercados são um animal feroz e hoje estão bravos: nós temos que domá-los”. Frase por certo prenunciadora de maiores atritos.

Dos EUA, onde a crise financeira também produzira anteriormente sérios problemas, chegaram durante o ano notícias menos alarmantes, mescladas com sinais debilmente positivos.

Mais obscuro e enigmático, contudo, ficou o panorama econômico chinês. A potência comunista — que não produz suficiente comida para alimentar seu sofrido povo — depende em tudo de suas exportações ao Ocidente e do dinheiro que recebe em troca. Mas o esfriamento das economias ocidentais acarretou-lhe diminuição de atividades e grande número de revoltas operárias. As famosas reservas chinesas de dólar mostraram-se exíguas, incapazes de tampar sequer o buraco da eventual falência da Itália. O que então dizer desse claudicante dragão chinês no tocante à crise da Europa? De eventual “salvador” a China passou a ser imenso espectro desestabilizador. As esquerdas laicas e católicas, apologistas da UE e do euro, insistiram como remédio um aumento dos poderes absorventes da própria UE e do Banco Central Europeu (BCE), em detrimento da soberania das nações. Precisamente aquilo que para largos setores da opinião pública europeia é a própria essência do mal presente, ou seja, o socialismo crescente. A chanceler da Alemanha teve que assumir a contragosto o papel de “Lady No”, ao negar a emissão de mais dinheiro pelo BCE; dinheiro este que acabaria sendo fornecido pela Alemanha. A opinião pública germânica não suporta mais financiar governos estrangeiros.

Tida como o bastião que segurava a economia europeia, a Alemanha deu, nos últimos meses do ano findo, graves sinais de contágio do mesmo mal que aflige os demais governos. Durante todo o ano Merkel exigira insistentemente, dos países europeus com problemas, mais disciplina e menos despesas. Em vista disso, não causou espanto o crescimento nesses países de um sentimento germanofóbico, pois afinal Berlim cometera os mesmos abusos que, de látego na mão, queria extinguir nos outros.

Horizontes aterradores impensáveis

 No final do ano, economistas, sociólogos e especialistas de diversas áreas trabalhavam com hipóteses que incluíam o surgimento de desordens sociais, decorrentes de desabamentos até há pouco tempo impensáveis nas economias mundiais: corridas aos bancos, evaporação da poupança de milhões de cidadãos, empobrecimento de nações inteiras, “corralitos”, desvalorizações devoradoras, migrações, saques e revoluções. Nas combalidas esquerdas, a perspectiva de um colapso do capitalismo privado — baseado na propriedade particular e na livre iniciativa — afigurava-se como a realização das obscuras profecias de Karl Marx, um equivalente ocidental da derrubada, nas décadas de 80 e 90, do capitalismo de Estado socialista e anticristão simbolizado pela URSS.

Nas minorias radicais anarquistas, ambientalistas e comuno-tribalistas, a crise era comemorada como um passo rumo à utopia eco-tribalista de uma humanidade diminuída que “retornava” à vida na selva. Porém, ecologia e ambientalismo radicais tiveram pouca ressonância na opinião pública, como ficou evidenciado no esvaziamento das exageradas profecias de um “aquecimento global”, como também no desinteresse pela Conferência de Durban.


Fugitivos das revoltas e guerras civis do norte da África chegavam ilegalmente em barcos à ilha de Lampedusa, no Mediterrâneo, pertencente à Itália

Crise migratória racha a Europa

A União Europeia sonhou constituir uma sociedade imensa, “célula-mater” da República Universal, na qual a multiplicação das vias de comunicação e a fusão das economias dos diversos países gerariam um todo cada vez mais interdependente amalgamando povos das mais diversas culturas e etnias. Sua opulência e seu laxismo alfandegário atraíam multidões de todos os recantos do mundo. Porém, receosos de ficarem sujeitos — a exemplo do império romano — à pressão de imensas e incontroladas levas de estrangeiros, os povos do continente ficaram dominados pelo pavor.

No início do ano, a contragosto de Bruxelas, a Grécia anunciou a construção de uma fossa aquática de 120 quilômetros de comprimento ao longo de toda a sua fronteira transitável com a Turquia. A fronteira seria ladeada por um muro de três metros de altura, 30 de largura e sete de profundidade, bem como cercada por arame farpado, câmeras térmicas e sensores de movimento. Por essa fronteira entraram, só em 2010, 180 mil pessoas, o equivalente a 90% dos imigrantes ilegais na UE.

Poucos meses depois, mais de 35 mil magrebinos — fugitivos das revoltas e guerras civis do norte da África — chegavam ilegalmente em barcos à ilha de Lampedusa, no Mediterrâneo, pertencente à Itália. Muitos outros milhares sucumbiram naquele mar, durante a mesma tentativa desesperada. Incapaz de sustentar essa multidão, a Itália concedeu um visto temporário aos recém-chegados e os encaminhou aos países vizinhos. Esse grande fluxo obrigou as autoridades francesas a barrar as linhas férreas provenientes da Itália e devolver os imigrantes dotados de vistos legais. Paris pediu então — e obteve — a reforma do tratado de Schengen, que garante a livre circulação nas fronteiras sem controle de identidade.

Em outro lance, com argumentos e pretextos polêmicos, a Dinamarca restabeleceu os controles fronteiriços para se defender da imigração descontrolada e do crime. A Comissão Europeia de Bruxelas, máximo órgão executivo da União Europeia, ameaçou processar o país “dissidente”. A decisão foi verberada como sendo um “presente” intolerável do Partido do Povo Dinamarquês, rotulado de “extrema-direita” e por isso mesmo tido como indigno de ser ouvido no debate democrático.

Na França, Marine Le Pen comemorou a decisão dinamarquesa que acabara “com o bla-bla-blá permanente e inação total do governo”. Para ela, o exemplo deveria ser seguido por outros países. Na Suíça, Christoph Blocher, líder da União Democrática de Centro (UCD), partido governante, propôs restabelecer os controles policiais nas fronteiras e abandonar o tratado de Schengen para limitar a imigração ilegal.

Em face desse gênero de reações, reveladoras de um crescimento da direita na juventude europeia, o mau humor e o temor foram crescendo nos ambientes favoráveis à UE, dominados pelas esquerdas e pelo progressismo católico. Por exemplo, o jornal sueco de tendência socialista “Aftonbladet”, o maior da Escandinávia, levantou o espantalho de que “nos armários de sapatos da Europa, as botas estão guardadas e prontas para serem usadas”.

O fato é que largos setores da opinião pública europeia já estão enojados com os abusos totalitários praticados pela UE, notadamente na questão relativa à maciça imigração islâmica, vista por eles como uma “invasão”. Porém, os “europeístas” se recusaram a renunciar à utopia igualitária de “um continente sem fronteiras”.


O fundamentalismo islâmico — cuja cabeça reside no Egito, mas que se estende por todo o mundo muçulmano — foi surgindo como a verdadeira inteligência que teleguiava os agitadores da rua, mandando atacar igrejas, interromper cerimônias cristãs e matar fiéis.

“Primavera árabe” ou “primavera fundamentalista”


Na Líbia, o ditador Khadafi, acobertador do terrorismo nos tempos da URSS, não entregou pacificamente o poder

Batizado como “Primavera árabe”, um tsunami de revoluções percorria o mundo muçulmano, desde o Marrocos, nas costas do Atlântico, passando pela Tunísia, o Egito e a Síria no Oriente Médio, atingindo o Bahrein e o Kuwait no Golfo Pérsico, o Iêmen e a Arábia Saudita no Mar Vermelho. A imprensa mundial ressaltava as aparências liberais e democráticas dessas revoluções simultâneas em vários países tão diversos. Dizia-se que as revoltas populares eram ateadas pelos anseios de liberdade e democracia entre as novas gerações criadas e organizadas por meio de Internet e dos celulares. Tudo começou na Tunísia, quando um ambulante ateou fogo em seu corpo como protesto. Manifestações em série, que exigiam a queda do regime socialista e altamente corrompido do país, espocaram imediatamente.

O incêndio propagou-se aos países vizinhos segundo um esquema estranhamente similar. Enquanto a ditadura socialista tunisiana ruía e Zine el Abidine Ben Ali renunciava, no coração do Cairo, no Egito, as agora famosas manifestações na Praça Tahrir atingiam grande dimensão e duração. Elas exigiam a queda do presidente socialista Hosni Mubarak, sustentado pelo exército e por um esquema de governo também marcado pela corrupção. Após muitos enfrentamentos de rua, o ditador egípcio acabou renunciando.

A “Primavera árabe” ensejou a instalação no poder de coalizões de grupos oposicionistas que deveriam preparar a transição para regimes genuinamente livres e democráticos. Mas nessas coalizões, compostas muitas vezes por ex-membros dos governos derrubados e por políticos sem base nem representação, um silencioso mas determinado grupo ia impondo o tom: os Irmãos Muçulmanos. Dependente da organização semi-secreta dos Irmãos Muçulmanos ou Irmandade Islâmica, o fundamentalismo islâmico — cuja cabeça reside no Egito, mas que se estende por todo o mundo muçulmano — foi surgindo como a verdadeira inteligência que teleguiava os agitadores da rua, mandando atacar igrejas, interromper cerimônias cristãs e matar fiéis.

Das prometidas reformas liberalizantes muito pouco se tinha feito no fim do ano, mas a brutal sharia (lei islâmica) foi sendo por toda parte propugnada. Os sucessivos governos de transição na Tunísia e no Egito foram sendo cada vez mais contestados pela agitação de rua conduzida pelos ambíguos e misteriosos Irmãos. Como que se adiantando à revolução, no Marrocos o rei prometeu reformas democratizantes e convocou eleições. Em novembro, os fanáticos Irmãos, embora usando uma máscara moderada, saíram das urnas como a maior força organizada.

Na Líbia, o ditador Khadafi, acobertador do terrorismo nos tempos da URSS, não entregou pacificamente o poder. A oposição insurgiu-se em armas, mas logo se patenteou que ela não tinha vigor nem liderança para se impor. A intervenção militar da NATO acabou pondo em fuga o sanguinário ditador, que foi linchado e morto por opositores.

Em maio, numa bem planejada operação-comando dos EUA no Paquistão, foi morto Osama Bin Laden, o chefe terrorista islâmico mais procurado.

A “Primavera árabe” e o desaparecimento simultâneo desses dois líderes deram lugar a um new look do fanatismo maometano, tanto em sua imagem como na estratégia. Os grupelhos terroristas passaram a um segundo plano. A avançada radical passou a se fazer por vias “democráticas”, nas barbas de uma Europa absorvida pela crise econômica interna. Em dezembro, a Fraternidade Muçulmana e o partido salafista, também fundamentalista, obtiveram 65% dos votos nas eleições gerais do Egito. O Mediterrâneo tende a se tornar, pelo menos no sul, um Mare nostrum islamita radical!

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