Intelectual italiano realça centenário do nascimento de Plinio Corrêa de Oliveira


25/06/2008

Cid Alencastro

Numa série de três extensos artigos, que constituem um verdadeiro estudo, o Prof. Massimo Introvigne destaca a ação do pensador e homem de ação brasileiro na história dos meios católicos

A propósito do centenário do nascimento de Plinio Corrêa de Oliveira (13-12-1908), cujas comemorações já se iniciam, o intelectual italiano Massimo Introvigne publicou uma série de importantes e bem documentados artigos sobre os meios católicos brasileiros, que podem ser lidos na íntegra em: http://www.cesnur.org/

Introvigne assim inicia seu estudo:

“A 13 de dezembro de 2008 ocorre o primeiro centenário do nascimento de Plinio Corrêa de Oliveira (1908-1995), líder católico, homem político e intelectual brasileiro que deu aquilo que é talvez o maior contributo no século XX para a escola católica dita contra-revolucionária, da qual se encontram ecos significativos no magistério dos Pontífices dos séculos XX e XXI”.

Escola católica contra-revolucionária

Plinio Corrêa de Oliveira, 4º de esq. para dir., enquanto diretor do “Legionário”, recebe a visita do Almirante católico japonês Yamamoto nos anos 30

Lembra ele que Plinio Corrêa de Oliveira fundou a Ação Universitária Católica, na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo; foi eleito aos 24 anos para a Assembléia Constituinte de 1934, como o candidato mais votado de todo o Brasil; presidiu a Junta Arquidiocesana da Ação Católica, em São Paulo; dirigiu, durante décadas, “O Legionário”, semanário oficioso da arquidiocese paulopolitana; foi o inspirador e principal articulista do então jornal (hoje revista) Catolicismo; até fundar, em 1960, a Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP). Escreveu numerosas obras.

A posição matizada que o pensador brasileiro tinha a respeito dos Estados Unidos da América do Norte é bem sintetizada por Introvigne. De um lado a denúncia da “cultura de Hollywood”, ou seja, a crítica aos modos novos, liberais e sem compostura, que o cinema norte-americano espalhou pelo mundo, em contraposição aos estilos tradicionais de ser e de agir. E, de outro lado, “consideração pelo papel político desenvolvido pelos Estados Unidos na luta em defesa dos valores ocidentais contra o comunismo, e também contra o nacional-socialismo e os regimes autoritários e estatizantes europeus”.

Após constatar que o Brasil foi um dos países mais atingidos pela crise progressista e pela teologia da libertação de caráter marxista, Introvigne mostra que, precisamente nesse País, através da obra de Plinio Corrêa de Oliveira, “a escola católica contra-revolucionária conheceu, na segunda metade do século XX, um de seus mais significativos desenvolvimentos”.

A crise da Ação Católica nos anos 40

O primeiro livro de Plinio Corrêa de Oliveira, Em Defesa da Ação Católica, merece de Introvigne uma referência cuidadosa que, se não é exaustiva, é muito abrangente nas suas linhas gerais. Trata-se de uma obra que nos proporciona “uma análise extremamente lúcida de como – tendo por base diversos erros doutrinários – a Ação Católica estava em crise”.

Prosseguindo a narração histórica daquela época, o intelectual italiano põe em realce o fato de que, com a entronização na Arquidiocese de São Paulo do Cardeal Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta, o Prof. Plinio perdeu a presidência da Ação Católica, inclusive a direção do “Legionário”. O novo arcebispo preferiu “ouvir com benevolência os críticos de Em Defesa da Ação Católica” (A respeito desse livro, vide p. XX).

No Vaticano, entretanto, a análise da crise da Igreja brasileira, exposta nessa obra e pelo grupo do “Legionário”, “era considerada sempre com a maior atenção, tanto mais que essa crise ia se mostrando em toda sua gravidade”.

Daí resultou que, em 1949, Mons. Montini escreveu uma carta a Plinio Corrêa de Oliveira, em nome do Papa Pio XII, louvando o livro Em Defesa da Ação Católica, “com expressões de um calor pouco comum para uma obra que, além do mais, havia sido publicada seis anos antes”.

Catolicismo, Revolução e Contra-Revolução

Pelo fim da década de 1950, o jornal Catolicismo “opõe-se ao mito populista da reforma agrária, a qual se tornará uma sua batalha central no decênio seguinte”. Catolicismo desenvolve ainda “uma obra sistemática de defesa do papel das elites e da luta contra a vulgarização da cultura. Vão nessa direção, antes de tudo, os comentários metódicos de Plinio Corrêa de Oliveira às alocuções de Pio XII à nobreza e ao patriciado romano, os quais suscitarão, entre outros, o interesse de D. Pedro Henrique de Orleans e Bragança (1908-1981), Chefe da Casa Imperial do Brasil; dois filhos de D. Pedro tornar-se-ão depois estreitos colaboradores do autor”.

Na série Ambientes, costumes, civilizações, partindo de imagens, fotografias, obras de arte, episódios históricos e filmes, “o pensador brasileiro mostra o influxo das tendências, dos ambientes, das cores e sabores na formação da mentalidade e da cultura”. Tal modo de ver constitui uma das originalidades fundamentais da visão contra-revolucionária do pensador brasileiro.

Em 1959, Plinio Corrêa de Oliveira publica Revolução e Contra-Revolução, obra que “está indissoluvelmente ligada à fama do pensador brasileiro, seja na história do pensamento católico, seja do pensamento político latino-americano”.

* * *

Ainda num outro artigo — fora desta série — em que analisa a última eleição italiana, Massimo Introvigne ressalta os bons resultados obtidos por um dos partidos, pelo fato de que seus dirigentes fizeram um “constante apelo a valores que podem resumir-se no lema ‘tradição, família, propriedade’”. E isto se dá, diz ele, ao mesmo tempo que “ocorre o centenário do nascimento do pensador católico brasileiro Plinio Corrêa de Oliveira (1908-1995), fato que, presumo, não estava especificamente em vista” para os componentes médios desse partido.


Massimo Introvigne, advogado italiano e intelectual conceituado, tem ocupado cargos docentes em diversas universidades. Formou-se em Filosofia pela Pontifícia Universidade Gregoriana, de Roma. É autor de 23 livros e editor de outros dez nos campos da sociologia e da ciência da religião. Tem denunciado com êxito atividades comprometedoras dos chamados movimentos anti-seitas. É fundador e diretor do Centro de Estudos das Novas Religiões (CESNUR) e membro do movimento Alleanza Cattolica, dirigido por Giovanni Cantoni.

Veja:
http://www.catolicismo.com.br/

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