Temor de Deus e misericórdia


16/10/2012

São Francisco de Sales


Última Ceia (detalhe) - Giotto di Bondone, séc. XIII. Capela Scrovegni, Pádua, Itália.

Para caminhar seguramente nesta vida, é preciso caminhar sempre entre o temor e a esperança; entre o temor dos juízos de Deus, que são abismos impenetráveis, e a esperança da sua misericórdia, que é sem número e sem medidas, ultrapassando todas as suas obras. É preciso temer os seus divinos juízos, mas sem desânimo, assim como se animar à vista da sua misericórdia. [...]

Não façamos como os que choram quando lhes falta a consolação e cantam quando ela volta; no que se parecem com certos animais que estão tristes e furiosos quando o tempo está sombrio e chuvoso, e não cessam de saltar quando está bom o tempo. [...]

O nosso primeiro mal é que nos temos em grande apreço, e se nos acomete algum pecado ou imperfeição, eis-nos admirados, confusos, impacientes, porque pensávamos estar bons, resolutos e tranquilos; e, portanto, quando vemos que não é assim, quando caímos por terra, eis-nos perturbados e ofendidos de nos deixarmos enganar. Se soubéssemos o que somos, em lugar de nos admirar de cairmos, admirar-nos-íamos estar de pé um só dia ou uma só hora.

Esforçai-vos por fazer com perfeição o que fizerdes, e quando estiver feito, não penseis mais nisso; mas pensai no que tendes para fazer, caminhando com singeleza na via do Senhor, sem atormentar o espírito. Convém odiar os defeitos, não com um ódio cheio de despeito, mas com um ódio tranquilo; olhai-os com paciência e fazei-os servir para vos humilharem na vossa estima. Considerai os vossos defeitos com mais dó do que indignação, mais humildade do que severidade, e conservai o coração cheio dum amor doce, sossegado e terno. [...]

É comum nos que começam a servir a Deus e que ainda não têm experiência da carência da graça e das vicissitudes espirituais, que, quando lhes falta o gosto desta devoção sensível e desta amável luz que os encaminhava nas vias do Senhor, logo perdem as forças e caem em uma grande tristeza e pusilanimidade de coração.

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(*) São Francisco de Sales, Pensamentos Consoladores, Livraria Salesiana Edi

Veja:
Revista Catolicismo

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