Desânimo


04/05/2005

Cid Alencastro

Um dos mais propagandeados líderes do progressismo no Brasil é sem dúvida alguma o Pe. José Comblin, expoente da malfadada “teologia da libertação”.

Importado da Bélgica em 1958, foi professor do Instituto Teológico de Recife, sob a égide do conhecido Arcebispo Vermelho, D. Helder Câmara.

Um documento-bomba elaborado então pelo Pe. Comblin pregava a tomada do Poder pela esquerda e a instalação de um Estado ditatorial que impusesse ao Brasil um regime de tipo comunista. Felizmente denunciado pelo Prof. Plínio Corrêa de Oliveira em 1969, o documento Comblin correu o Brasil, causando estupor e indignação na massa da população católica.

O resultado mais palpável dessa denúncia – aliada a outras que se lhe seguiram -- foi que o povo católico brasileiro ficou vacinado contra a penetração do progressismo, até então avançando sem contestação nos meios religiosos, por meio de tramas e subentendidos. A partir daí o progressismo não morreu, pelo contrário, prosseguiu, mas com altos e baixos, no vôo incerto da ave que levou chumbo nas asas.

35 anos depois é o próprio Pe. Comblin, agora com 81 anos de idade, quem vem a público, por ocasião da eleição de Bento XVI, para externar seu desânimo pela situação presente do progressismo. Para ele, houve um “esvaziamento do Concílio Vaticano II”. E vaticina: “o próximo conclave poderá escolher um papa ainda mais conservador”. Lamenta: "não se espere outro João XXIII, porque isso só vai ocorrer daqui a mil anos".

De tão desanimado, ele, um defensor da luta de classes, até exagera: “a Igreja fez clara opção preferencial pelos ricos”.

Tais pensamentos foram expressos pelo Pe. Comblin ao falar, em São Paulo, para um auditório de 200 intelectuais, padres e freiras, a convite da Sociedade de Teologia e Estudos da Religião (Soter) e do Departamento de Teologia e Ciências da Religião da PUC-SP (O Estado de S. Paulo, 4-5-05). Manifestou ainda seu desânimo sobre os rumos que deve tomar a CNBB.

O que o Pe. Comblin não disse, mas a realidade presente obriga a lembrar, é que se o progressismo mais ardido está desanimado, isso não obsta a que um progressismo que se apresente como moderado procure tomar as rédeas da situação, às custas de 20 séculos de tradição católica.

A respeito de como deve ser uma civilização realmente cristã, cumpre aqui lembrar o eloqüente elogio feito pelo Papa Leão XIII à Cristandade medieval: "Tempo houve em que a filosofia do Evangelho governava os Estados. Nessa época, a influência da sabedoria cristã e a sua virtude divina penetravam as leis, as instituições, os costumes dos povos, todas as categorias e todas as relações da sociedade civil. Então a Religião instituída por Jesus Cristo, solidamente estabelecida no grau de dignidade que lhe é devido, em toda parte era florescente, graças ao favor dos Príncipes e à proteção legítima dos Magistrados. Então Sacerdócio e o Império estavam ligados entre si por uma feliz concórdia e pela permuta amistosa de bons ofícios. Organizada assim, a sociedade civil deu frutos superiores a toda a expectativa, cuja memória subsiste e subsistirá, consignada como está em inúmeros documentos que artifício algum dos adversários poderá corromper ou obscurecer" (Encíclica "Immortale Dei", de 1º-XI-1885 -- "Bonne Presse", Paris, vol. II, p. 39).

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