Estados Unidos: defesa da família tradicional desconcerta ativistas do “casamento” homossexual


17/05/2013

Francisco José Saidl
(daPennsylvania–EUA


Foto: Michael Gorre

Condicionados pelo mito muito difundido nos Estados Unidos de que o público americano é majoritariamente favorável ao “casamento” entre pessoas do mesmo sexo, ativistas do movimento que propugna por esse “casamento” ficaram desapontados ante o quadro com que se depararam no último dia 26 de março diante da Suprema Corte, na capital americana. Na ocasião, os juízes da mais alta instância judicial do País ouviriam os argumentos dos advogados favoráveis às leis de adoção do “casamento” homossexual.

E o que motivou o desapontamento dos componentes desse movimento? Em frente à Suprema Corte havia uma multidão — pelo menos cinco mil pessoas — reunida para protestar. Julgando que se tratava de membros do mesmo lobby para o qual tinham sido convocados, os pró-“casamento” homossexual tiveram um primeiro impulso de juntar-se a eles; mas logo notaram, com grande espanto, que eram de um grupo oposto. Tiveram então de se aglutinar ao magote que defendia seus pretensos direitos.

Entre os defensores do matrimônio tradicional destacavam-se 50 membros da Sociedade Americana de Defesa da Tradição, Família e Propriedade – TFP e algumas dezenas de jovens estudantes da Academia São Luís Grignion de Montfort.

Os manifestantes da TFP e demais participantes se comportavam de modo ordeiro e pacífico. No magote do lobby oposto notava-se tumulto e agitação.

Portando seus característicos estandartes e suas capas rubras, os membros da TFP distribuíram folhetos nos quais esclareciam que não os movia o ódio pessoal, mas o amor aos princípios imutáveis da Lei natural e da Lei Divina. A seguir, transcrevo excertos do folheto.

Veja:
Revista Catolicismo

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Dez razões para não aceitar o chamado “casamento” homossexual

(Tradução do inglês por Francisco José Saidl)

Ao redigir esta declaração, não temos qualquer intenção de difamar ou menosprezar ninguém. Não somos movidos pelo ódio pessoal a ninguém. Opondo-nos intelectualmente a pessoas ou organizações que promovem a agenda homossexual, nosso único objetivo é a defesa do casamento tradicional, da família, e dos valores preciosos da civilização cristã.

Como católicos praticantes, temos compaixão e rezamos por aqueles que lutam contra a tentação implacável e violenta do pecado homossexual. Rezamos por aqueles que caem neste pecado por debilidade humana. Que Deus os ajude com a sua graça.

Estamos conscientes da enorme diferença existente entre essas pessoas que lutam contra suas fraquezas esforçando-se para superá-las, e as que transformam seus pecados em motivo de orgulho e tentam impor seu estilo de vida à sociedade como um todo, em oposição flagrante à moral cristã tradicional e à Lei natural. Entretanto, rezamos por elas também.

Rezamos ainda pelos juízes, legisladores e funcionários do governo que, de uma forma ou de outra, tomam medidas que favorecem a homossexualidade e o “casamento” entre pessoas do mesmo sexo. Não julgamos suas intenções, disposições interiores ou motivações pessoais.

O mesmo documento elenca dez razões para a não aceitação do chamado “casamento homossexual”:

1. Não é casamento

O simples fato de chamá-lo de casamento não o torna tal. O casamento foi sempre a aliança entre um homem e uma mulher com vista, segundo a sua própria natureza, à procriação e educação dos filhos, à unidade e ao bem-estar dos cônjuges.

Os promotores do "casamento" homossexual propõem algo totalmente diferente: a união entre dois homens ou duas mulheres. Negam eles assim as evidentes diferenças biológicas, fisiológicas e psicológicas entre homens e mulheres, que encontram a sua complementaridade no casamento. Também negam a finalidade primária específica do casamento: a perpetuação da espécie humana e a educação dos filhos.

Duas coisas completamente diferentes não podem ser consideradas uma mesma coisa.

2. Viola a Lei natural

Casamento não é apenas qualquer relacionamento entre seres humanos; é uma relação enraizada na natureza humana e, portanto, regida pela Lei natural.

Eis um preceito elementar da Lei natural: “O bem deve ser procurado e o mal deve ser evitado”. Por sua razão natural, o homem pode perceber o que é moralmente bom ou ruim para ele. Assim, ele pode conhecer o fim ou a finalidade de cada um de seus atos, e como é moralmente errado transformar os meios que o ajudam a realizar um ato em finalidade desse mesmo ato.

Qualquer situação que institucionalize a neutralização da finalidade do ato sexual viola a Lei natural e a norma objetiva da moralidade.

Sendo radicada na natureza humana, a Lei natural é universal e imutável, aplicando-se de modo igual a todo o gênero humano. Ela comanda e proíbe, de forma consistente, em todos os lugares e sempre. São Paulo ensinou na Epístola aos Romanos que a Lei natural está inscrita no coração de cada homem. (Rom. 2:14-15)

3. Nega à criança o direito de ter um pai e uma mãe

É do maior interesse da criança que ela seja criada sob a influência de seu pai natural e de sua mãe. Esta regra é confirmada pelas evidentes dificuldades enfrentadas por muitas crianças órfãs ou que são criadas por uma mãe solteira, um parente, ou um pai adotivo.

A lamentável situação dessas crianças será a norma para todos os filhos adotivos de um “casal” homossexual. Uma criança nessas condições sempre será privada de sua mãe ou de seu pai. Será necessariamente criada por pessoas sem nenhuma relação de sangue com ela. Será sempre privada de qualquer mãe ou um pai que lhe sirva de modelo.

4. Promove o estilo de vida homossexual

A denominação de “família” a esse tipo de união serve para validar não apenas essas uniões, mas o estilo de vida homossexual em todas as suas variantes, bissexuais e transgêneros.

As leis civis são princípios que estruturam a vida do homem em sociedade. Como tais, desempenham um papel muito importante e por vezes decisivo para influenciar os padrões de pensamento e comportamento. Elas configuram externamente a vida da sociedade, mas também modificam a percepção de todos e a avaliação das formas de comportamento.

O reconhecimento legal da união homossexual obscureceria necessariamente certos valores morais básicos, desvalorizaria o casamento tradicional e enfraqueceria a moralidade pública.

5. Introduz um erro moral no Direito Civil

Os ativistas homossexuais afirmam que esse “casamento” é uma questão de direitos civis semelhante à luta pela igualdade racial nos anos 1960.

Isso é falso.

Antes de tudo, comportamento sexual e raça são realidades essencialmente diferentes. Um homem e uma mulher desejosos de se casar podem ser diferentes em suas características: um pode ser negro outro branco, um rico outro pobre, um alto outro baixo. Nenhuma dessas diferenças constitui obstáculo insuperável ao casamento, pois ambos continuam homem e mulher, respeitando, portanto, as exigências da natureza.

O “casamento” do mesmo sexo opõe-se à natureza. Duas pessoas do mesmo sexo, independente de sua raça, riqueza, estatura erudição ou fama, nunca serão capazes de se casar em razão de uma impossibilidade biológica intransponível.

Em segundo lugar, ??características raciais herdadas e imutáveis não podem ser comparadas com comportamentos não-genéticos e mutáveis. Simplesmente não há analogia entre o casamento inter-racial entre um homem e uma mulher e o “casamento” entre duas pessoas do mesmo sexo.

6. Não cria uma família, mas uma união naturalmente estéril

O casamento tradicional é geralmente tão fecundo que para a frustração de seu fim se requer uma violência à natureza a fim de impedir o nascimento de crianças através da contracepção. Mas, naturalmente, ele tende a constituir uma família.

Ao contrário, o “casamento” homossexual é intrinsecamente estéril. Se os “cônjuges” querem uma criança, eles devem contornar a natureza por meio caros e artificiais, ou empregar substitutos. A tendência natural de tal união não é constituir famílias.

Portanto, não podemos chamar a união do mesmo sexo de casamento e dar-lhe os benefícios do casamento verdadeiro.

7. Elimina os benefícios do estado matrimonial

Uma das principais razões pelas quais o Estado concede inúmeros benefícios ao casamento é que, por sua própria natureza e finalidade, este proporciona as condições normais de uma atmosfera estável, afetuosa e moral benéfica à educação dos filhos, fruto do afeto mútuo dos pais. Isso ajuda a perpetuar a nação e fortalecer a sociedade, que é um interesse evidente do Estado.

O “casamento” homossexual não fornece essas condições. Seu objetivo principal, objetivamente falando, é a gratificação pessoal de duas pessoas, cuja união é estéril por natureza. Não pode ter direito, portanto, à proteção que o Estado deve dar ao casamento verdadeiro.

8. Impõe a sua aceitação por toda a sociedade

Ao legalizar o “casamento” homossexual, o Estado se torna o seu promotor oficial e ativo: apela a seus funcionários para oficiar a cerimônia civil, ordena as escolas públicas a ensinar às crianças a sua aceitabilidade, e pune o que expressar desaprovação.

Na esfera privada, os pais que estão em desacordo verão seus filhos expostos mais do que nunca a esta nova “moralidade”; as empresas que oferecem serviços de casamento serão obrigadas a fornecê-los para uniões do mesmo sexo; e os proprietários de imóveis de aluguel terão de concordar em aceitar como inquilinos “casais” homossexuais.

Em qualquer situação na qual o casamento afeta a sociedade, o Estado obrigará os cristãos e todas as pessoas de boa vontade a trair suas consciências através da apologia, do silêncio, ou do ato. Um ataque à ordem natural e à moral cristã.

9. É a vanguarda da revolução sexual

Na década de 1960, a sociedade foi pressionada para aceitar todos os tipos de relações sexuais imorais entre homens e mulheres. Hoje uma nova revolução sexual está convidando a sociedade a aceitar a sodomia e o “casamento” homossexual.

Se o “casamento” homossexual for universalmente aceito como a etapa presente da “liberdade” sexual, que argumentos lógicos poderão ser usados ??para barrar as próximas etapas que seriam o incesto, a pedofilia, a bestialidade e outras formas de comportamento antinatural? Na verdade, os elementos radicais de certas vanguardas da contra-cultura já estão defendendo essas aberrações.

O desenvolvimento do movimento pró-homossexual na nação norte-americana torna cada vez mais claro aquilo que o ativista homossexual Paul Varnell escreveu no “Free Chicago Press”:

“O movimento homossexual, quer o reconheçamos ou não, não é um movimento de direitos civis, nem mesmo um movimento de libertação sexual, mas uma revolução moral destinada a mudar a visão das pessoas sobre a homossexualidade”.

10. Ofende a Deus

Esta é a razão mais importante. Sempre que se viola a ordem moral natural estabelecida por Deus, comete-se um pecado e ofende-se a Deus. O “casamento” homossexual faz exatamente isso. Assim, quem professa seu amor a Deus deve se opor a esse “casamento”.

O casamento não é invenção do Estado. Ele foi estabelecido por Deus no Paraíso para os nossos primeiros pais, Adão e Eva. Como lemos no Livro do Gênesis: “Deus criou o homem e a mulher à Sua imagem. Deus os abençoou, dizendo: Sede fecundos, multiplicai, enchei a Terra e sujeitai-a”. (Gn 1:28-29)

O mesmo foi ensinado por Nosso Salvador Jesus Cristo: “Desde o início da criação, Deus os fez homem e mulher. Por este motivo, o homem deixará seu pai e sua mãe, e unir-se-á à sua mulher” (Mc 10:6-7).

O Gênesis também ensina como Deus puniu Sodoma e Gomorra pelo pecado do homossexualismo: “O Senhor fez chover fogo sobre Sodoma e Gomorra. Subverteu aquelas cidades e toda a planície, junto com os habitantes das cidades e da produção do solo”. (Gn 19:24-25).

 

 

 

 

 

 
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