Auto-retrato filosófico de Plinio Corrêa de Oliveira


22/07/2004

Plinio Correa de Oliveira

Em dezembro do mesmo ano, a TFP arrecadou, em campanha pública realizada em quatro das principais capitais do País, grande quantidade de dinheiro, roupas, brinquedos e gêneros alimentícios, para o Natal dos pobres. O produto da coleta foi entregue a associações de caridade, para que o distribuíssem.

Em fins de 1972 e início de 1973, a TFP promoveu uma campanha de porte nacional para a difusão da corajosa e oportuníssima Carta Pastoral sobre Cursilhos de Cristandade , de D. Antonio de Castro Mayer [*]. Nela, o então Bispo de Campos alertava os católicos de sua Diocese sobre perigosos erros doutrinários, inclusive abertura para o marxismo, que afetavam numerosos setores desse movimento. Em quatro meses, treze caravanas com 120 propagandistas percorreram 1328 cidades de norte a sul do Brasil, vendendo 93 mil exemplares da Pastoral.

[*] Nota da redação — O referido documento foi redigido, portanto, 10 anos antes do afastamento do Prelado em relação à TFP.

Em 1974, sócios e cooperadores da TFP empenham-se em ajudar o Exército Azul de Nossa Senhora de Fátima a promover a peregrinação da Imagem de Nossa Senhora de Fátima, que chorara milagrosamente em Nova Orleans, Estados Unidos. O bem que essa Imagem Peregrina tem feito às almas, no Brasil e no Exterior, é literalmente incalculável. Mais de 500 mil pessoas acorreram para venerá-la em seu percurso pela América do Sul.

Em 1975 o divorcismo voltou à carga, através de duas emendas constitucionais. A TFP também retornou às ruas, desta vez para difundir a Carta Pastoral Pelo casamento indissolúvel , do Bispo de Campos, D. Antonio de Castro Mayer. Em pouco mais de um mês venderam-se cem mil exemplares da Carta Pastoral. As emendas divorcistas foram rejeitadas.

A partir de maio de 1977, a TFP do Brasil, bem como as demais TFPs do continente americano, divulgaram em seus respectivos órgãos de imprensa e em dezenas de milhares de folhetos um importante estudo entregue pela TFP norte-americana aos membros de ambas as Casas do Congresso, ao Departamento de Estado e a influentes personalidades da vida pública dos Estados Unidos. Intitulado Direitos humanos na América Latina — o utopismo democrático de Carter favorece a expansão comunista , o estudo da TFP norte-americana observa que a administração Carter –”se outorgou o direito de definir, dogmaticamente, e com validade absoluta para todos os povos, grande número de pontos controvertidos, como se fosse uma espécie de Vaticano infalível, determinando a natureza das liberdades civis que todas as nações têm que aceitar”.

Expoentes da Teologia da Libertação reuniram-se em fins de fevereiro de 1980 em Taboão da Serra, em São Paulo. À noite, entretanto, eram realizadas pelas CEBs sessões de animação dos participantes da jornada de Taboão da Serra, no Teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (TUCA). A noite de 28 de fevereiro foi especialmente consagrada à Revolução Sandinista da Nicarágua, e constituiu um forte incitamento à guerrilha, feito pelos sandinistas à esquerda católica brasileira e de toda América Latina. Catolicismo  obteve a gravação da sessão (facultada, aliás, a qualquer pessoa presente) e a publicou, com comentários meus, no número de julho-agosto de 1980. As caravanas de propagandistas da TFP divulgaram a reportagem de Catolicismo  por todo o território nacional (36.500 exemplares). As TFPs da Argentina, Colômbia, Equador, Uruguai e Espanha reproduziram meu estudo sobre a – Noite Sandinista em seus respectivos países, totalizando, com a edição do Brasil, 80.500 exemplares.

Consultados por proprietários rurais, os professores Sílvio Rodrigues, da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, e Orlando Gomes, da Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia, afirmam, em bem fundamentados pareceres, que toca aos fazendeiros, desassistidos do Poder Público, o direito de defender-se à mão armada contra bandos de desordeiros que tentam invadir suas propriedades, com a intenção de ocupá-las ilegalmente. A partir de janeiro de 1986, a TFP deu a mais ampla divulgação aos pareceres dos dois eminentes jurisconsultos, fazendo-os publicar em 87 jornais de 76 cidades de 21 Estados.

Durante 130 dias, de 31 de maio a princípios de outubro de 1990, as TFPs e Bureaux -TFP reuniram 5.218.020 assinaturas em 26 países, para um abaixo-assinado hipotecando solidariedade à declaração de independência da Lituânia do jugo soviético. Uma delegação das TFPs, de onze membros, entregou o abaixo-assinado ao Presidente da Lituânia, Vytautas Landsbergis, no dia 4 de dezembro de 1990. No dia 6, já em Moscou, a delegação se fez fotografar em plena Praça Vermelha, desfraldando um estandarte da entidade, com todos os seus integrantes portando a capa vermelha característica das TFPs. E no dia 11 do mesmo mês a comitiva entregou, nos próprios escritórios do Kremlin, uma carta coletiva dos presidentes de todas as TFPs ao Presidente da URSS, Mikhail Gorbachev, solicitando-lhe formalmente que, diante dessa categórica manifestação do mundo livre, removesse todos os obstáculos que impediam a Lituânia de alcançar sua plena independência.

Entre as memoráveis campanhas da TFP, incluem-se também as de difusão dos livros que escrevi, bem como das demais obras editadas sob os auspícios da entidade. Dentre estas, cabe destacar, pela sua originalidade, a coleção intitulada Diálogos Sociais . Consiste ela em vários opúsculos que tratam de diversos temas ligados à problemática comunismo-anticomunismo, no diapasão em que são habitualmente sentidos e comentados pelo homem comum em conversas caseiras e encontros de rua. Os Diálogos Sociais  colocam ao alcance do grande público, de modo resumido e substancioso, argumentos para que ele possa premunir-se contra as artimanhas da propaganda do socialismo e do comunismo. Os três opúsculos da coleção editados no Brasil intitulam-se: N° 1 – A propriedade privada é um roubo? ; N° 2 – Devemos trabalhar só para o Estado? ; N° 3 – É anti-social economizar para os filhos?  Em edições sucessivas foram vendidos, no Brasil, 100 mil exemplares de cada opúsculo.

Outras atuações da TFP: publicação de manifestos pelos jornais e estudos enviados às autoridades mostrando os aspectos socializantes da lei do inquilinato; carta ao Presidente Castelo Branco em prol de uma lei de imprensa que conciliasse a repressão dos abusos com uma justa e adequada liberdade; missas anuais realizadas: 1) pelas almas das vítimas que o comunismo vem fazendo, desde 1917, em todo o mundo, em particular no Brasil, através de atos de terrorismo, e 2) pela libertação dos povos escravizados pela seita vermelha; campanhas realizadas pelos estudantes da entidade a fim de alertar a juventude universitária sobre a origem e objetivos esquerdistas de certas fermentações estudantis; memorial ao Ministro da Justiça contra o aborto; visitas sistemáticas a hospitais, a fim de levar o conforto de uma palavra cristã e de uma dádiva material aos doentes, principalmente os mais pobres e abandonados; recolhimento de roupas e alimentos de pessoas abastadas e posterior distribuição nos bairros pobres.

Se quisesse historiar aqui tudo o que a TFP tem feito na linha da difusão doutrinária e do combate ideológico, seria um não mais acabar. Citei, portanto, apenas as grandes campanhas levadas a cabo pela organização que fundei, e cujo Conselho Nacional tenho a honra de presidir. Elas têm cabida aqui porque completam, mais ainda do que meu retrato filosófico, a fisionomia dos princípios que defendo.

,No campo das idéias, não existe apenas o antigo e o novo, mas sobretudo o verdadeiro e o perene

Com efeito, ao ler este retrato filosófico , muitos terão tido em mente, de começo a fim, uma objeção: tudo isto é anacrônico e incapaz de deitar raízes no mundo em que vivemos.

A linguagem dos fatos é outra. No campo das idéias, não existe apenas o antigo e o novo, como quereriam os evolucionistas. Existem também, e sobretudo, o verdadeiro, o bom, o belo e o perene. Em contraposição irreconciliável com o erro, o mal e o disforme. E ao verum, bonum  e pulchrum , significativos setores da juventude hodierna não só permanecem sensíveis, mas engajaram uma marcha de resoluta expansão.

A tradição do perene não é morte, mas vida — vida de hoje e vida de amanhã. De outra maneira não se explicaria este fato patente, que é a repercussão das várias TFPs na mais nova juventude deste nosso novíssimo continente.

Não pretendo ser apenas um defensor do passado, mas um colaborador — com outras forças vivas — para influir no presente e preparar o futuro. Estou certo de que os princípios a que consagrei minha vida são hoje mais atuais do que nunca e apontam o caminho que o mundo seguirá nos próximos séculos.

Os céticos poderão sorrir. Mas o sorriso dos céticos jamais conseguiu deter a marcha vitoriosa dos que têm Fé.

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